segunda-feira, 9 de junho de 2008

sonetos

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente! ...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…



Sonho vago

Um sonho alado que nasceu um instante,
Erguido ao alto em horas de demência...
Gotas de água que tombam em cadência
Na minh'alma tristíssima, distante...

Onde está ele, o Desejado? O Infante?
O que há-de vir e amar-me em doida ardência?
O das horas de mágoa e penitência?
O Príncipe Encantado? O Eleito? O Amante?

E neste sonho eu ja nem sei quem sou...
O brando marulhar dum longo beijo
Que não chegou a dar-se que se passou...

Um fogo-fátuo rútilo, talvez...
E eu ando a procurar-te e já te vejo!
E tu ja me enconstraste e não me vês!...



Florbela Espanca

1 comentário:

Manuel Guedes disse...

Tu escolhes muito bem os poemas Ana! A tua escolha deixa muitas incógnitas no ar.
Agradeço-te pelos poemas k selecionaste kndo fui pá Bélgica. Ter podido le-los ao longo de toda a minha estadia... em pequenos momentos que entravam com poesia.

Gostei desses momentos que me proporcionaste, amiga.

Bjs*